Como se trata a DTM?

Diagnóstico clínico baseado em história e exame físico. ​ Tratamento conservador com goteiras, fisioterapia e medicação. ​

Hoje em dia é universalmente aceite que as DTM devem ser abordadas por uma equipa multidisciplinar, formada por médico dentista, fisioterapeuta, psicólogo, entre outros profissionais que dependendo do tipo/gravidade/complexidade do quadro clínico e da existência de comorbilidades, poderão ter um contributo a dar (como a cirurgia maxilo-facial, a reumatologia, a psiquiatria, a neurologia e a terapia da fala).

Nenhum tratamento é universalmente eficaz para todos os pacientes em todos os momentos. É essencial conhecer os vários tipos de tratamento para lidar de maneira eficaz com os sintomas.

O tratamento conservador e não invasivo é considerado como o de eleição numa fase inicial, dado que a sintomatologia é habitualmente reduzida através da informação e educação do paciente, e da utilização conjunta de goteiras oclusais, fisioterapia e medicação.
As técnicas invasivas e não conservadoras (irreversíveis/cirúrgicas) devem circunscrever-se aos casos que não respondem a técnicas mais conservadoras ou situações de indicação primária (fraturas, patologias degenerativas, malformações, etc.).

Estudos demonstram que, cerca de 50 a 90% dos pacientes com DTM submetidos a tratamento conservador, apresentam poucos ou nenhuns sintomas a longo prazo. Na maioria dos casos, os pacientes ficam estáveis entre 6 a 12 meses após o tratamento inicial conservador.
Infelizmente, constatamos na literatura que a seleção da técnica de tratamento se correlaciona fortemente com a especialidade do profissional a quem o paciente recorre. Assim, se o paciente for a um ortodontista, cirurgião, fisioterapeuta ou prostodontista, o tratamento
poderá variar para a mesma indicação/diagnóstico, sem que isto seja fundamentado na melhor evidência.

Resumo dos Tratamentos das DTM

Em função do seu quadro clínico o seu tratamento poderá englobar:

Abordagens Comportamentais

Tratamento Farmacológico

A utilização de medicação pretende: tratar a dor aguda ou crónica, tratar a inflamação das estruturas articulares e/ou musculares, procurar promover o relaxamento muscular e uma diminuição da ansiedade se presentes. 

Não se automedique, procure aconselhamento adequado.

Tratamento Fisioterapêutico

A fisioterapia tem ao seu dispor diversos meios e estratégias de
intervenção/tratamento. A terapia manual (muscular e articular), o exercício terapêutico, a punção seca e as estratégias de intervenção comportamental que assentam na educação do paciente são as que apresentam maior eficácia e evidência científica.
Secundariamente, os meios físicos e eletrofísicos (vulgarmente
conhecidos como eletroterapia), embora úteis num pequeno número de casos, não podem substituir a terapia manual ou constituir abordagens preferenciais no tratamento das DTM.

Terapia Miofuncional

A Terapia Miofuncional Orofacial, um ramo da Terapia da Fala, poderá também ser útil na abordagem das alterações funcionais da Respiração, Mastigação e Fala presentes em pacientes com DTM.

Goteiras Oclusais

Existem vários tipos de goteiras oclusais mas nem todas são adequadas.

As goteiras oclusais não são todas iguais. Existem características
básicas que todas as goteiras oclusais devem apresentar, para que possam ser verdadeiros dispositivos médicos ortopédicos. Devem ser construídas em resina acrílica; ser rígidas; recobrir todos os dentes da arcada; recobrir toda a face oclusal; ser planas no sector posterior; garantir uma guia anterior para os movimentos excursivos; apresentar contactos oclusais interdentários distribuídos bilateralmente e mais intensos no sector posterior e menos intensos no anterior; de uso parcial e limitado no tempo (em função da indicação do médico dentista, para uso noturno por exemplo).

Terapias Oclusais Irreversíveis

Os tratamentos oclusais são tratamentos irreversíveis e existe pouca evidência que suporte os seus efeitos terapêuticos ou preventivos sobre a DTM. Não está em causa a capacidade dos tratamentos oclusais melhorarem muitas condições dentárias (dificuldades mastigatórias, dor ou sensibilidade dentária, alterações fonéticas e estéticas entre outras), embora raramente estes tratamentos sejam necessários para o propósito exclusivo de tratar a DTM.

Como referimos anteriormente não existe suporte científico para o
estabelecimento de uma relação causa/efeito entre a oclusão e a DTM e bruxismo. Assim, a ortodontia, correções oclusais, ajustes oclusais, desgastes seletivos, reconstruções protéticas/implantes ou outras, não devem ser apresentados como a forma de “tratamento” destas patologias.

Toxina botulínica

Embora o uso da toxina botulínica esteja cada vez mais generalizado, este nunca deve constituir uma primeira abordagem, ou uma abordagem isolada no tratamento de uma DTM. Poderá estar reservado para casos de DTM muscular ou cefaleias refratárias (não responsivas) ao tratamento conservador.

Tratamentos Cirúrgicos da DTM

O tratamento cirúrgico está reservado para os casos mais complexos ou não responsivos ao tratamento conservador (que dura há pelo menos 6 meses) e que têm incapacidade grave na ATM. Isso representa provavelmente menos de 5% dos pacientes que procuram tratamento para as desordens intracapsulares.
Podemos referir a viscossuplementação (infiltração com ácido
hialurónico – técnica minimamente invasiva), a lavagem articular
(artrocentese), procedimentos cirúrgicos fechados (artroscopia) e
procedimentos cirúrgicos abertos (artroplastia).

Partilhar:

Facebook
X
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Threads
Email