Foi ao Dentista e este perguntou-lhe se tem bruxismo? Calma! Não tem nada a ver com bruxas.
O termo bruxismo deriva da palavra grega «Brychein», que significa pressionamento, fricção ou atrito entre os dentes.
O bruxismo consiste não apenas em ranger os dentes mas também no apertar dos dentes quando estamos distraídos, irritados ou concentrados, e/ou simplesmente hábitos como tensionar/manter a mandíbula fixa na mesma posição (mesmo sem contacto entre dentes), ou até morder a língua. Por isso, responder ao seu médico dentista que não faz bruxismo porque não faz barulho com os dentes quando dorme, não o iliba! O bruxismo pode ser silencioso!
Para além disso, pode ocorrer quando estamos acordados – bruxismo de vigília – ou quando estamos a dormir – bruxismo do sono – mas, normalmente, é misto. Estima-se que a ocorrência de bruxismo diminui ao longo da vida, onde se contabiliza que afete até cerca de 20% das crianças mas apenas 5 a 8% dos adultos.
Há vários indícios de que pode estar a fazer bruxismo (do sono ou de vigília) e não se limitam à sua boca. Os sintomas do bruxismo do sono são geralmente piores ao acordar e melhoram com o decorrer do dia, enquanto que os pacientes com bruxismo de vigília podem apresentar sintomas apenas após acordarem e vão piorando ao longo do dia. Se notar algum destes sinais e sintomas, consulte um profissional de saúde.
Na maior parte dos casos, o bruxismo está associado a:
- Tensão e hipersensibilidade ao stresse e ansiedade
- Doenças do foro neurológico (como por exemplo a doença de Parkinson e a epilepsia)
- Distúrbios do sono (síndrome da apneia do sono, roncopatia, transtorno comportamental do sono REM e síndrome das pernas inquietas)
- Refluxo gastroesofágico
- Problemas psiquiátricos
- Medicações (alguns antidepressivos ou outros)
- Ingestão/consumo de substâncias estimulantes (legais ou ilegais)
Não podemos esquecer que o bruxismo é um hábito e, como tal, a maioria das pessoas pode não ter a noção que o faz. À semelhança da DTM, o seu diagnóstico é feito através da história clínica. A abordagem do bruxismo vai depender das causas e deve passar pela consciencialização do paciente e a exploração da existência de outras comorbilidades, nomeadamente a sua possível associação com distúrbios do sono.
Dadas as variadas sequelas do bruxismo (ver figura 4), a intervenção inicial deve ser orientada pelo médico dentista e pode incluir tratamentos pouco invasivos como:
- Goteira oclusal
- Terapia comportamental
- Exercícios/técnicas de relaxamento
- Medicação para a ansiedade ou relaxamento muscular
- Psicoterapia
- Medidas de higiene de sono
- Evicção/redução do consumo de cafeína, tabaco e álcool
- Encaminhamento para a Gastroenterologia ( na presença de refluxo gastro-esofágico)
- Dispositivo de Avanço Mandibular ou CPAP (Continuous Positive Airway Pressure), na presença de roncopatia e/ou apneia do sono
- Encaminhamento para a Neurologia, Pneumologia ou Psiquiatria
Não existe validade científica para a abordagem do bruxismo através de técnicas irreversíveis e invasivas (como os aparelhos dentários, próteses ou implantes dentários) como primeira opção e como motivo para a resolução da patologia. Estas podem ser um recurso para o restabelecimento e recuperação das sequelas da patologia (nomeadamente do desgaste dentário).